Muita gente certamente recorda-se dum programa diário que a RTP transmitia (seria pelas 17h) chamado Ponto por Ponto, com apresentação do recentemente finado Raul Durão. Uma das rubricas desse programa era às 6ªs feiras sobre jogos de computador. O jovem Paulo Dimas era o responsável por todas as semanas trazer uma reportagem sobre um jogo novo ao programa. Funcionava sempre do mesmo modo, com umas imagens do jogo com a voz dele por cima a explicar o que se fazia e não se fazia no mesmo.
A novidade nesse dia era que Paulo Dimas, figura nervosa, ansiosa e tão à vontade à frente das câmaras tanto no primeiro como no último programa em que figurou (daqui deduzo que não tenha grande sucesso com o sexo oposto), apresentava um jogo feito por portugueses e um dos autores estava em estúdio: Manuel Lemos, estudante na altura e cuja página pessoal é www.ManuelLemos.net. Podem apreciar a reportagem em baixo. Tem 11m49s, mas a entrevista em si - que é o que interessa - começa aos 7 minutos.
Raul Durão, ao introduzir o convidado e dada a credibilidade do mesmo inclusivamente brinca com o nome de alguns dos autores. Mas o regabofe começa assim que é dada a palavra a Manuel! Começa pelo à vontade com que está na pele de entrevistado e na eloquência do seu discurso. Basicamente conta a história triste de 3 estudantes que abdicaram de 2 anos da sua vida para fazerem um jogo de computador e querem-no vender.
Só que o jogo afinal não é um original mas antes uma conversão para o ZX Spectrum de um jogo de máquinas de 1985 duma empresa japonesa. O problema é que os três se olvidaram do importante pormenor que para poderem fazer a conversão e comercializar o jogo teriam que ter as licenças do criador original do jogo. Curiosamente, todas as empresas que eles contactaram para os poder ajudar a comercializar lhes disseram o mesmo. Ou isso ou conversões apenas “in the house”, ou seja, são os técnicos deles que as programam – já que é o trabalho deles – e a empresa trata da burocracia. Decidiram fazer uma conversão dum jogo de máquinas porque “na altura estavam-se a fazer conversões dos jogos das máquinas”. Licenças e pagar direitos é que foram coisas que não lhes passaram pela cabeça. O mais bonito é que a única motivação que Manuel Lemos viu para fazer este jogo foi dinheiro. Como o próprio diz “em perspectiva teríamos ganho mesmo bastante dinheiro, se o conseguíssemos comercializar [o jogo]”. Por fim, Manuel Lemos adianta sobre a comercialização do jogo “espero que para breve, não sei é para quando”.
Um apontamento final quanto ao vídeo em questão: ainda bem que o mesmo está a preto e branco pois nem quero imaginar aquelas camisolas a cores. Deviam queimar qualquer retina!
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