Feita a apresentação, e descartada qualquer hipótese de sermos processados por difamação, negligência ou dolo, rogo aos mais sensíveis o obséquio de parar de ler agora; o tema que se segue pode ferir susceptibilidades.
Mergulhada seguramente há mais de 10 minutos num zapping frenético, dei por mim há uns dias a ver uma emissão da Igreja Universal do Reino de Deus... "Cê cridita no Sinhô? Cridita qui ti âma? Então faiz o qui Eli pedi! Si pedi prá sofrê, cê sofri! Si pedi prá pagá, cê paga!"... Choram, gritam, cantam. E acreditam. E pagam. Por um lugar no céu. É isso no fundo que se transacciona. Um lugar no céu. E a venda é potenciada pela inegável capacidade persuasiva daqueles pastores. Eles não estão ali para governar eclesiasticamente o rebanho. Estão a vender. Lugares. Os melhores agentes imobiliários de sempre! Vendem sem catálogo, sem andar modelo. E a verdade é que a gente quer ir pró céu… se tiver que ser ao lado do gajo que tem cortinas de renda e vasos no parapeito, seja!
Como qualquer outra imobiliária, funcionam como um intermediário no mercado, no caso, do Firmamento. Quem sabe um dia vamos vê-los a fazer propaganda dentro deste género. O cavalheiro com umas vestes mais coloridas, no lugar do balão uma nuvem a dizer IURD, o nome do pastor pode manter-se, é apelativo (só pode ser um golpe de Marketing… nenhuma mãe deseja tanto mal a um filho) … Até tenho uma sugestão para o título: “Eu hei-de dar ao Deus Menino uma fitinha para o chapéu e Ele também me há-de dar um lugarzinho no céu”.
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