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sexta-feira, novembro 30, 2007

Jogos de Cartas


Vi-me, no outro dia, entretido a jogar no computador um jogo de cartas. O normal jogo com 4 pessoas, eu e 3 figuras controladas pelo computador. Fui jogando algumas vezes mas mesmo ganhando achava que a minha experiência nesse jogo não seria total sem adicionar um ingrediente extra. Só não sabia qual… até que a meio me ocorreu! E mudar o nome dos jogadores adversários de Jogador 1, 2 e 3 para 3 nomes normais? Pelo menos dava um ar mais interessante à coisa, principalmente se estamos a ganhar. O processo de escolha de nomes relevantes e dignos para estarem sentados à minha mesa de jogo foi extremamente simples e rápido: escolhi alguns membros da equipa técnica da Selecção de Portugal, a saber, Scolari (não podia deixar de ser), Murtosa e Brassard.

Escusado será dizer que toda a experiência em volta de um jogo de cartas cresceu exponencialmente sabendo quem eram os meus novos companheiros de jogo e uma nova realidade apareceu. Agora põe-se a questão: porque me foi tão fácil chegar a estes nomes? A resposta é mais do que óbvia: porque é assim que eu os vejo, na realidade. Senão, atentemos em:

a) Sempre que eles são vistos a trabalhar é num átrio de hotel a cumprimentar jogadores, com calças de fato de treino de tactel e pólo branco com o símbolo da FPF. É óbvio que os imagino à mesa de jogo com essa indumentária;

b) Na realidade é isto que eles fazem durante os estágios e períodos de jogos, a única altura em que trabalham. É de senso comum que a equipa não está nem nunca esteve treinada, logo o que se passa naqueles relvados dos estágios e treinos de futebol não tem nada a ver;

c) Ver jogos é uma coisa que nunca aconteceu, eventualmente um joguito ou outro perto da residência do seleccionador nacional para não o cansar;

d) Consta que o Murtosa comprou uma assinatura da SportTV em Abril último. Só assim se compreende que quando teve oportunidade de estar à frente da equipa em 3 jogos “para empatar”, segundo Scolari, o rapaz se tenha excedido e tenha inclusivamente ganho esses mesmos desafios;

e) O Brassard nunca percebeu muito bem o que esteve a fazer tantos anos em balizas de equipas de futebol de 1ª divisão. Quando percebeu que era melhor a jogar cartas do que a guarda-redes acabou a carreira bem cedo para poder apanhar mais um tacho na selecção. As únicas coisas que saberá de futebol vêm no jornal desportivo que folheia de manhã enquanto toma café. Daí algumas sugestões mais bizarras a Scolari para as convocatórias

Não nos podemos alhear do facto de que 2 dos 3 meus companheiros de mesa de jogo têm bigode há vários anos e como tal ganham um respeito suplementar da minha pessoa (enquanto adversários de jogo de cartas, é óbvio). É um privilégio para mim e estou consciente disso.

Por fim, nem só se joga cartas naquela mesa, também se fala de temas variados, mas curiosamente nunca se fala de futebol. A mim não me apetece e eles não sabem nada do assunto. Ficamos melhor assim.

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