Palavras, palavrinhas e palavrões de uma pequena minoria dentro de uma elite ainda mais pequena... Se quiser partir alguma coisa envie por correio para: partemtudo@netcabo.pt

sexta-feira, novembro 30, 2007

Ainda se diz assim

Tenho vindo a constatar que a linguagem humana carece cada vez mais de precisão, o que me desgusta profundamente. O povo lá sabe, e quando criou o trocadilho dos "alhos com os bugalhos" sabia que em breve a população ia deixar de se interessar nas variantes, fases, gradações e meios-tons que só as palavras permitem.

Perde-se o ciano, azul-água, azul marinho, azul bébé, e azul esverdeado: há quem lhes chame Verde agora. Vende-se a riqueza e o espólio falado por meia dúzia de novos termos e palavras inúteis como internet, email e iPod. Bom, mas isto não tem nada a ver com o tópico.

Isto tudo porque descobri recentemente alguns itens e produtos cujo nome verdadeiro se encontra oculto por detrás de marketing, ou então estupidez. Apresento-os de seguida, com as devidas provas fotograficas e imparciais.

Caso primeiro: A bica.
Ou antes B.I.C.A., pois este nome referente à bebida baseada em café não quer dizer mais do que Beba Isto Com Açúcar. E isto é a verdade. E também porque no fundo, no fundo, o café bebe-se sem açúcar. Mas este não, este é o que leva açúcar, e daí B.I.C.A.! Mas como é um termo mourisco, nem chateia muito.



Caso segundo: A Pepsi.
Aparte de saber a urina, e de forma nenhuma se comparar à verdadeira Coca-Cola, Pepsi é um nome que não tem o direito de existir. Porquê? Porque o nome verdadeiro desta bebida é Pepsi-Cola. Vejam nas latas e garrafas, nas letrinhas pequenas. Enquanto o termo Pepsi, adaptação moderna, apenas tem direito a ®, Pepsi-Cola inclui nada mais nada menos do que a santa trindade do respeito comercial: o vulgar ®, o enfant-terrible ™ e o mal-amado (por ser bastardo) ©.

Portanto, se tiverem MESMO de beber uma destas coisas, ao menos peçam "uma Pepsi-cola, por favor!". Ou então "era um copo cheínho de urina se faz favor!".



O próximo caso é o inverso: em vez de produtos que traíram o seu nome original, trata-se de um nome de respeito que afinal de contas não se refere a produto nenhum.

Aos leitores susceptíveis, aconselha-se a desistência da leitura das próximas palavras. Depois do Pai Natal, ..:

Caso último: A Compota.
Descobri que compotas são coisas que não existem. Ou já não existem ou nunca existiram senão no imaginário de nossas avós, passadas por tradição cultural de mães para filhas em conversas à lareira, e cujos nomes, cheiros, texturas e sabores foram segredados no leito aos ouvidos dos nossos pobres avôs e pais (e nossos) como o Santo Graal da cobertura de pão e tostas, algo com que ainda se podia sonhar livremente, sem tabus ou pudor.

Nada mais enganoso.

Estava a barrar o meu pão com compota de morango Casa de Mateus, quando reparo que não tem lá escrito compota, mas sim Doce Extra de Morango. E eu: "ai diabo", começo logo com aquela nervoseira, rodo o pacote, procuro nas letras pequenas: nada de "Compota", apenas "Doce". Maldito doce. Vou ao frigorífico, marcas "Hero" e outras, e algumas tradicionais - um total de 9 compotas diferentes que afinal não eram Compotas. Eram doces.

Pensei ainda que seria talvez um produto diferente. Rumei ao Pingo-Doce. Varridas as prateleiras, não existe dúvida: não existe um único produto com o nome Compota na secção das compotas. Apenas "doces" e "geleias".

Isto enoja-me.



Sim, desafio-vos, encontrem-me uma compota!

Quid Juris.

I rest my case.

2 comentários:

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