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terça-feira, fevereiro 17, 2004

Caldeirão de burocracia

Trabalho num 1º andar, bem perto de uma janela. Já perdi a conta de quantas cenas como a que relato aqui agora acontecem durante uma semana.

A rua onde trabalho é estreita, mas não muito, e de sentido único. Apesar disso, é uma rua onde é proibido estacionar dos dois lados. Geralmente num dos lados ninguém liga a isso, dentro dos limites do razoável. Todos os carros e autocarros passam com maior ou menor dificuldade. Além de que do lado contrário da rua onde os carros estão indevidamente estacionados existe um largo passeio do qual qualquer viatura que esteja em dificuldades para passar se pode socorrer. Até aqui tudo bem. Mas em Portugal existem pessoas que quando nasceram cairam num caldeirão da burocracia e como tal são incapazes de ajudar o mundo a andar para a frente dobrando um pouco as regras, neste caso falo do passar por cima do passeio que referi atrás.

Ainda agora esteve um autocarro que não passava devido a um carro mal estacionado e por se recusar a subir com uma roda o passeio (se ainda fossem rodinhas pequenas ou frágeis...) para seguir caminho. O resultado foi simples. Uma fila imensa de carros parados e a buzinar nesta rua tornando-a num inferno!

O burocrata dos STCP que conduzia o autocarro nem precisou de chamar a polícia, pois por acaso o carro que seguia uns lugares atrás do mesmo era PSP. Chamaram lá os colegas do reboque, tiveram que rebocar o carro. Para isso, a fila entretanto criada teve que recuar uns bons metros (o que deve ter demorado um bom tempo) para o reboque ter espaço, prender o carro prevaricador, e sair da rua em marcha-atrás, numa manobra que até deve ser bem complicada.

Tive que sair enquanto este processo final acontecia. Chego à rua e vejo magotes de reformados e pessoas que não fazem nenhum a observarem atentamente o que a polícia ia fazendo. O mais interessante é que aposto que o dono do carro rebocado estava ali no meio mas sem coragem para intervir, apenas observava. A populaça juntava-se para mandar os seus juízos: "Já ganharam o dia!", "Bem feita, mania que podem estacionar onde querem!" e frases que tais eram proferidas pelos muitos observadores anónimos que olhavam para mim de forma estranha, talvez por estar a andar na rua e não parado, estarrecido, a cagar sentenças. Quase que dizendo "tu não és um dos nossos!". Ora bem, tenho uma novidade para essas pessoas: eu NÃO sou um dos vossos! É verdade! NÃO sou! Vão fazer qualquer coisa de útil, vão olhar para o c@r@lh*! Cambada de merdosos!

Apenas quero deixar o reparo que desde que o autocarro parou até que ele arrancou passaram-se 50 minutos. Se o motorista quisesse mesmo chegar a horas e cumprir horários tinha perdido 30 segundos ali, isto se guiasse mal! E nesses 50 minutos deu-se tema de conversa a muita gente durante um bom bocado. E isto é o país que temos. Depois existem engarrafamentos. Aqui está uma bela situação para distribuir indiscriminadamente Atestados de Pastorícia™ por todos os envolvidos na criação desta situação. Principalmente por aqueles em que a cara sorria de cada vez que condenavam o motorista cujo carro foi rebocado. Um Atestado de Pastorícia™ de categoria especial para o motorista do autocarro. Afinal foi ele que despoletou isto tudo.

Estou decepcionado. Termino este texto.

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